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quinta-feira, 1 de maio de 2008

Revolução Industrial: suicídio das crianças inglesas

Pensar a modernidade é algo extremamente paradoxal! O que é o progresso? Avanço tecnológico? Modernidade? Se o que separa o início da revolução industrial do meu I-pod de 120 gramas for um produto do progresso industrial e tecnológico meu bolso está cheio de sangue e toda sorte de miséria humana...Nunca saberia!
No dia primeiro de Maio comemora-se em nível de mundo o dia do trabalho. Mas o que de fato há para se comemorar? Pra que um feriado? Festa? Luto? História?
Eu jamais pensei em ouvir falar que crianças de nove ou onze anos pudessem sofrer de maneira tão brutal a ponto de tirar a própria vida. Que o ser humano tivesse uma potência descomunal para a perversidade eu ainda suspeitava, mas com uma vontade de que fosse apenas um pessimismo exagerado.
Estas crianças inglesas sofreram. Scavengers e Piecers estavam expostos ao perigo iminente, espancadas pelos pais para que sofressem menos com as atrocidades dos patrões, muitas vezes era no suicídio que encontravam alívio: “É bom quando isso acontece, de morrermos antes de crescermos.” Se atirar da janela da fábrica era mais atraente do que a (sub)existência destas pobres criaturas sem respeito, amor...sem nada além da dor e pânico do real...
Bom feriado a todos!

*texto livremente adaptado de “Dedos Ágeis” em http://repositorium.sdum.uminho.pt/dspace/bitstream/1822/715/10/CAPITULO%20II%20-%20DEDOS%20%C3%81GEIS.pdf

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Diário de um ativista político















12h -
Encontrar os companheiros de luta e discorrer sobre incidentes passados, como inalar spray de pimenta, encarar o batalhão de choque, tomar cassetadas de policiais dentre outros.
14h - Tomar o ônibus do sindicato rumo à passeata ensaiando "Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu, aki está presente o movimento estudantil"
16h - Chegar no ato público
18 - Permanecer no ato mas já sem todo aquele gás mas ainda gritando "Quem não pula é reitoria, quem não pula é reitoria!"
23h - Após uma assembléia pública voltar pra casa após sacar que os jovens já não entendem o que é política, respeito mútuo e muito menos democracia!



* Sexta-feira participei de um ato público seguido de uma assembléia para que os campi da Unifesp discutissem quais as diretrizes a serem tomadas quanto à renuncia do reitor dentre outras coisas.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Da eterna luta de classes

Estudantes da Unifesp querem que reitor renuncie



Bruno Aragaki em São Paulo

Reunidos em assembléia na noite desta quarta-feira (16), cerca de 300 estudantes da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) pedem a renúncia do reitor, Ulisses Fagundes Neto. Ele admitiu ter usado cartão corporativo para fins pessoais e classificou o ato como um "equívoco".

Os alunos decidem, agora, qual tática de protesto adotarão -- as propostas vão de greve à ocupação de reitoria.


"Por enquanto, a maioria dos estudantes não é favorável a entrar na reitoria", disse Matheus Lima, coordenador de comunicação do DCE (Diretório Central dos Estudantes), "mas é unânime o pedido de renúncia do reitor".

Para os estudantes reunidos no campus de São Paulo - a universidade tem outros quatro, no litoral, grande São Paulo e interior, com 4.200 alunos no total - ocupar a reitoria, neste momento, "abalaria a relações com reitoria", afirmou Lima.

Convocado a prestar depoimento na CPI dos Cartões, Faguntes Neto disse à imprensa, nesta tarde, que "não agiu de má fé" ao utilizar dinheiro público em compras no exterior.

"Tanto foi que devolvi o dinheiro todo", disse. "Eu faço a compra com o cartão, vem a fatura. Aquilo que não é elegível eu pago com o meu dinheiro. Foi o que aconteceu", defendeu-se.

Segundo o reitor, o uso do cartão foi um erro

Entre os gastos de Neto com o cartão da universidade, estariam compras em lojas de eletrônicos nos Estados Unidos, malas em Hong Kong e cerâmicas na Espanha, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.





Tá difícil filosofar num país como este viu? Paciência... To achando que o eskema é aprender mais francês e ir viver no gelado Quebec. Lá eu garanto que o reitor não vai pra Disney com grana pública! Au revoir les enfants. Aujourd'hui je suis un petit fatiguée!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Vanitas Vanitatum Et Omnia Vanitas! (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade)

























"Cheguei à firme convicção de que a vaidade é a base de tudo, e de que finalmente o que chamamos de consciência é apenas a vaidade interior."



Gustave Flaubert












segunda-feira, 31 de março de 2008

Entre os atos



“Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer.
Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade. Você sempre foi paciente comigo e realmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.
Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.
V."



Esta é a nota de suicídio de Virginia Wolf, uma célebre autora inglesa que deixou obras realistas maravilhosas como “Noite e dia” e “Flush”. Virginia tornou-se um pouco mais famosa no mundo depois do sucesso de “As horas”, romance de Michael Cunningham que foi belamente adaptado para o cinema. Neste filme (estrelado por Nicole Kidman, Meryl Streep e grande elenco), o autor entremeia características de uma personagem de Virginia, a saber “Mrs Dalloway” com a história de outras mulheres em épocas e realidades diferentes, sempre em um recorte muito subjetivo e existencialista. Virginia Wolf se matou em 28 de Março de 1941.