Estive pensando estes dias, enquanto via o jornal na TV, naquela propaganda sem-vergonha do Governo. Na verdade chega a ser cômico de tão trágico!
Se alguém ainda não viu, trata-se de uma propaganda na qual uma guria reforça todas as agreuras de viver em um país subdesenvolvido e da epifania e poder transformador que uma bolsa do PROUNI causa em sua humilde e quase inócua existência. Quer dizer, uma elevação à enésima potência da insipiente ideologia "Sou brasileiro, não desisto nunca".
A questão que me ocorreu foi a seguinte: Qual o objetivo de apresentar uma situação vexatória e flagrante da falta de investimento na educação como algo louvável, comovente? Quem foi que disse que educação é um favor? Quem é isento de impostos supostamente destinados à educação?
Talvez o problema seja menos corriqueiro do que calculamos, talvez a privatização da educação (não-integral, mas significativa) seja mesmo uma tentativa de diminuir cada vez mais o investimento no ensino de base e superior, bem como nas pesquisas científicas. Agora, algo muito mais elementar e anterior, ontologicamente falando, como podemos esperar uma sociedade autônoma e democrática se não há o cuidado com a educação e, consequentemente, com o pensamento crítico dos cidadãos???




