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terça-feira, 2 de junho de 2009

Cogitata metaphisica #14


"Nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte."
Seneca


Será que eles foram felizes?????


Carlos Eduardo e Bianca se casaram no sábado (30); eles embarcaram no voo 447!!!

mais em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u575303.shtml

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Na vontade...

‘Je ne suis pas maîtresse de ma foi, mais je le suis de ma volonté ‘*
Jean-Jacques Rousseau, Les Confessions



Lá nas Meditações Metafísicas, René Descartes que provar a existência de Deus! Um dos argumentos que ele articula para fazê-lo, e que constitui uma das “provas” a posteriori, é afirmar que existe uma faculdade infinita tanto em Deus quanto no homem: essa faculdade é a vontade!
Muuuitos séculos depois Freud retoma a questão da vontade pelo viés da satisfação dos prazeres (O mal estar na civilização, Totem e Tabu), ou seja, a vontade continua infinita, na perspectiva do psicanalista, mas ela se expressa na satisfação dos nossos impulsos sexuais que, cada indivíduo organiza de maneira idiossincrática. Uns transam o tempo inteiro mesmo, outros equilibram o sexo com outras atividades, outros nunca transam (mas estes são doentes, não precisa nem ser médico pra sacar, neh!?)
Ah! Não poderia esquecer que antes também teve Schopenhauer, cujo tema – a vontade- rendeu um livro, cuja versão em português é colossal. Este livro se chama O mundo como vontade e representação.
Agora cada um sabe do que eu estou falando, mesmo antes de pensar nisso, aliás, antes de pensar em qualquer coisa, nós já estamos com vontade. Eu acordo e quero dormir mais, se resolvo levantar, dá vontade de comer e tomar banho, aí vem aquela vontadinha que não sair de casa, mas saio....Aí da vontade de ver o ônibus assim que chego no ponto. Dependendo do dia a vontade é que o dia acabe logo! Ou pior, como dizia o rei tupiniquim**, “que tudo mais vá pra o inferno!”.
Eu tenho vontade de viver assim, tergiversando, vagando pelo pensamento ocidental, só porque aprender o mandarim arcaico deve dar um trabalho incomensuravelmente árduo. Mas não dá não...Só agora me lembrei que o assunto deste post não tinha praticamente nada a ver com este tema! Mas se já está aí, fazer o quê? Não cansarei mais meus caros leitores, mas volto a semana que vem! Abraços!
* ”Não sou mestre de minha fé, mas o sou de minha vontade”.
** Para os mais jovens: trata-se de Roberto Carlos.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cogitata metafisica #10


Eles não tem culpa de nada!!!!
ps.: Agora estou sem net em casa! It sucks!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Matando vários coelhos numa caixa d'água só!


Desde o dia 13 está acontecendo em São Paulo o 35o Festival Os melhores filmes do ano 2009 no CINESESC! Está é uma grande oportunidade para quem gosta de filmes bons e está em sampa ou adjacências! Entre os filmes selecionados destacam-se produções menos comerciais como o alemão Luz Silenciosa e o italiano Gomorra, muitas produções nacionais e filmes hollywoodianos como Crepúsculo e Batman - O cavaleiro das Trevas, além de filmes imperdíveis como Vicky Cristina Barcelona e (o da foto) Um beijo Roubado, no qual Jude Law, Norah Jones e Natalie Portman enchem a tela de esperança e profundidade sentimental!




Na sexta-feira eu fui assistir um chamado Quando estou amando. Achei o filme muito interessante e sensível, vou confessar que foi um pouco difícil me manter acordado depois do almoço de sábado, mas a obra tomada em seu conjunto é absolutamente valiosa (ainda que eu seja um sujeito muito suspeito pra tecer julgamentos a respeito da produção cinematográfica francesa contemporânea).




O CINESESC fica na Rua Augusta, 2075 e o festival rola até o final de Abril! O link da programação é: http://www.sescsp.org.br/sesc/hotsites/melhores_filmes/filme_selecionado.cfm?titulo=LUZ-SILENCIOSA&edicao=2009&filme=157




Abraços!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Modus operandi - Escrita e oralidade na filosofia de Jean-Jacques Rousseau

Em seu ensaio sobre a Origem das línguas, Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço do século XVIII, defende uma origem bastante idiossincrática para uma possibilidade da origem da linguagem na sociedade civilizada que prioriza a relação entre homem e natureza. Para o filósofo de Genebra, a linguagem insurge de necessidades passionais e não racionais, isto é, o homem fala porque desenvolveu inúmeras paixões além de uma razão muito mais sofisticada do que aquela presente no homem em estado de natureza.

É importante salientar que algo muito recorrente na filosofia moderna é a relação entre homem e mundo, civilização e natureza ou indivíduo e cultura se preferirmos. Autores como Espinosa (na Holanda), Hobbes (na Inglaterra) desenvolvem suas próprias teorias de estado natural, cada um à sua própria maneira.



A teoria de estado natural na filosofia do Rousseau assevera que, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe, resumidamente falando, o grande problema resulta da propriedade. Em um dado momento, devido à razão e às condições materiais, alguém imperou: "Isto é meu!". A partir desta apropriação dos elementos que, até então eram comunitários, e com comunitários não quero me filiar à teoria marxista, até porque seria um anacronismo gritante. Trata-se ,pois, de uma relação como em um genos grego ou como se verifica ainda na atualidade em comunidades indígenas nas quais não houve influências da civilização. No que tange à linguagem, dentro deste contexto, o ensaio de Rousseau mantem-se em um registro de orientação empirista, sem nem mesmo um compromisso categórico e que caminhe pas-a-pas com a História.

Não obstante a obra mostra uma grande erudição no que concerne ao conhecimento das línguas clássicas como o grego e o latim, as línguas modernas como o francês (língua na qual Rousseau escreve), o italiano e o inglês, bem como à música. É frustrante, portanto, esperar deste ensaio uma análise filológica da linguagem,como ocorre na Alemanha um século depois, ou uma análise lógico-ontológica como acontece muitos séculos antes com Platão e Aristóteles.