
Como sempre eu estou estudando bastante! Me formo agora em Novembro (teoricamente falando, mas sei que dará tudo certo) e por isso não posso me descuidar! Mas como diz um ditado medieval "Primum vivere deinde philosophare", isto é, Primeiro viver, depois filosofar!
Além de ser cinéfilo, eu não vivo sem música, gosto muito de indie rock e bandas dos anos 80, e oscilo entre outros ritmos neste meio tempo. Sempre achei que algumas fases da nossa vida são marcadas por filmes, livros e músicas!
Esta semana tive uma surpresa bastante afável; resolvir ler no parque, já que estava um clima convidativo e bastante quente. Baixei algumas coisas para ouvir no caminho (apaguei acidentalmente uma pasta com tipo, 300 músicas), elegi entre meus downloads Fresno, Beeshop e Kate Nash.
Descobri que 'Redenção', o primeiro CD da banda Fresno simplesmente me define. O que achei mais interessante é que ele tem uma espécie de romantismo mal resolvido. Como uma natureza que precisa ser sufocada pois isso pode soar anacrônico, fora do lugar ou brega mesmo! Ta aí, 'Redenção' é um CD muito brega e traz frases feitas, daquelas que adolescentes colocam nas frases de MSN, pura indústria cultural, sabe? Versinhos como:
Alguém que te faz sorrir
Alguém que vai te abraçar
Quando a escuridão cair
Quando você precisar
De alguém que não vai mentir
Que não quer te magoar
Segundos antes de dormir
De mim você vai lembrar (faixa 'Alguém que te faz sorrir')
Ou tão melosamente quanto:
Mas diz porque tu vais embora
Mas diz porque tens tanto medo
Se não acorda cedo
Nem trabalha, estuda ou namora
Mas diz porque chegou a hora
Agora que eu venci meu medo
Te peguei pelos dedos (música 'Milonga')
Mas ao mesmo tempo em que é todo assim, diríamos....corno manso, tem uma hora que a coisa muda um pouco de figura e se percebe que nem tudo acabou e há uma luz (e uma calça justinha também) no fim do túnel. Então vemos:
Os dias que estão nos jornais (Antigos)
Não são os dias atuais (Sofridos)
Fazem lembrar de um tempo que eu vivi
Ao lado teu, em que eu não percebi
Que ter você era o que eu mais queria
Mas o que eu mais fazia era tentar fugir (De ti)
Ou:
Se um dia eu fiz você chorar (Voce chorar)
Nem meses vão te recuperar
Te perdendo eu cresci tanto
Que eu não sei se eu quero mais te encontrar
Porque todas as vezes que a gente gosta de alguém, temos esta tendência bipolar de amor-ódio. São estados anímicos que nos deixam passionais, no sentido mais originário do termo. Paixão vem de pathos, termo que significa a não-ação, a submissão a forças transcendentes, não necessariamente um amor, mas a compaixão também é um estado patológico ou patético, por exemplo. Eu não estou exatamente sob uma patologia, mas tenho pensado muito em Swann, personagem de Marcel Proust que é marcado por uma forte influência seja da paixão carnal, seja pelo seu caloroso diletantismo estético. Pensando ainda que é meio revolvante a nossa posição no mundo: A gente ama, esquece, ama de novo, esquece de novo e a gente para e a gente segue e a gente retorna e a gente abandona...Eu sou assim também...estou na média dos mortais dotados de sentimentos! E você, tem sido algum CD ultimamente???